A quem interessar possa.
Myers-Briggs: INFJ, com "forças" de 33, 75, 50 e 11%, respectivamente.
Orientação teológica: 100% católico romano, 86% neo-ortodoxo, 82% Wesleyan, outros abaixo de 50%.
Teólogos mais próximos: 100% Santo Agostinho, 93% Karl Barth, 80% Santo Anselmo, 73% Friedrich Schleiermacher, 53% Calvino e o resto abaixo de 50%.
Political Compass: -1.50 no eixo esquerda/direita, -3.85 no libertário/autoritário (dependendo do humor).
Mostrando postagens com marcador my me mine. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador my me mine. Mostrar todas as postagens
15 de fev. de 2007
11 de jan. de 2007
Momento carente do dia
Não sei que fazem as pessoas que têm 4, 5, 29 depoimentos no Orkut. Só sei que eu não faço.
20 de mar. de 2006
Um sonho
(Só para tirar o mofo do blog.)
Foram no máximo uns dois minutos entre cochilar e acordar de novo. No meio disto, percebi que a minha alma estava solta dentro da minha cabeça. Podia me virar para um lado e para o outro dentro do meu crânio, oco e escuro, optando por olhar ou não através dos buracos dos olhos, iluminados desde fora por um sol que não se via. Do outro lado destas janelas, uma grama que se estendia ao longe e se encontrava com o céu; tudo em cores tão fortes que chegava a parecer um gráfico de computador.
O meu corpo voava e a grama passava rápida e sem atrito sob meus pés. O vôo parou e dois anjos de asas longas e pontudas desceram do céu e pousaram na minha frente. Os dois tinham cor de barro e tipo esguio. Eram praticamente imagens espelhadas um do outro e sua expressão facial era serena mas firme, como a de pinturas góticas. Cada um segurava uma espécie de alaúde ou violão, um de tamanho diferente do outro, e os cabos dos instrumentos quase se encontravam no espaço entre os anjos. Os anjos não se mexeram -- aliás, nem bateram as asas para descer do céu -- mas começaram a tocar uma música lenta que primeiro me soou melancólica e depois me deu a sensação de um cobertor numa noite fria. Percebi pelo som que um dos instrumentos era um violão, acompanhando; e o outro, era o quê?
-- Guitarra portuguesa! O anjo tá tocando guitarra portuguesa!
Foi o que falei para a minha mulher, não totalmente desperto mas subitamente me lembrando da presença dela. Ela disse "Tá" mas nem ligou, habituada a me ouvir falando em sonhos. Já eu não me esqueci mais das cenas: um par de anjos tocando fado, os olhos como janelas para a alma se debruçar.
Foram no máximo uns dois minutos entre cochilar e acordar de novo. No meio disto, percebi que a minha alma estava solta dentro da minha cabeça. Podia me virar para um lado e para o outro dentro do meu crânio, oco e escuro, optando por olhar ou não através dos buracos dos olhos, iluminados desde fora por um sol que não se via. Do outro lado destas janelas, uma grama que se estendia ao longe e se encontrava com o céu; tudo em cores tão fortes que chegava a parecer um gráfico de computador.
O meu corpo voava e a grama passava rápida e sem atrito sob meus pés. O vôo parou e dois anjos de asas longas e pontudas desceram do céu e pousaram na minha frente. Os dois tinham cor de barro e tipo esguio. Eram praticamente imagens espelhadas um do outro e sua expressão facial era serena mas firme, como a de pinturas góticas. Cada um segurava uma espécie de alaúde ou violão, um de tamanho diferente do outro, e os cabos dos instrumentos quase se encontravam no espaço entre os anjos. Os anjos não se mexeram -- aliás, nem bateram as asas para descer do céu -- mas começaram a tocar uma música lenta que primeiro me soou melancólica e depois me deu a sensação de um cobertor numa noite fria. Percebi pelo som que um dos instrumentos era um violão, acompanhando; e o outro, era o quê?
-- Guitarra portuguesa! O anjo tá tocando guitarra portuguesa!
Foi o que falei para a minha mulher, não totalmente desperto mas subitamente me lembrando da presença dela. Ela disse "Tá" mas nem ligou, habituada a me ouvir falando em sonhos. Já eu não me esqueci mais das cenas: um par de anjos tocando fado, os olhos como janelas para a alma se debruçar.
29 de out. de 2005
Nova Iorque - parte 1
Se eu fosse um verdadeiro jovem artista, estes cinco anos em Nova Iorque seriam um grande marco na minha vida. Era para eu estar escrevendo um livro sobre esta experiência formadora, ou então ter me tornado um monstro no improviso, ou ao menos --- se a bagagem burguesa me pesasse --- ter conhecido toda a galera "cool" e estar ajudando alguém a carregar seus pincéis ou amplificadores.
Mas eu sou matemático meio furreca que não é mais tão jovem, jamais foi artista, e nem curte tanto ser verdadeiro, e há um sentido muito profundo em que este meu tempo por aqui é uma péssima alocação de recursos para a humanidade. É o Destino regando uma samambaia de plástico. Bom, talve eu não seja 100% de plástico, mas não quis me deixar regar pelas águas negras do submundo para delas emergir assim bem, digamos, "United Colors of Bennetton". Sempre que o pessoal mais caretinha chega de Nova Jérsei para passar a noite aqui, vejo na cara deles que de Nova Iorque eles só conhecem os lugares errados, que eles entram tortos na cidade e saem daqui pensando que o barato do lugar é outro. Em última instância, a única coisa que me separa desta galera é eu ter consciência do que se passa e ter notado que a Vida não teve a cortesia de me botar uma plaquinha "Semi-artista? Entre aqui!" pelo caminho.
Anote, leitor, porque a informação é útil: quando você ouvir falar de alguém que no Brasil era um merdinha, mas que veio para NY e aqui evoluiu muito na sua arte, especialmente quando cheirou cocaína e trocou memórias de desenhos animados com um futuro grande nome da literatura japonesa (que naqueles tempos trabalhava como michê, é claro), pode ter certeza de que esta pessoa não sou eu.
Mas eu sou matemático meio furreca que não é mais tão jovem, jamais foi artista, e nem curte tanto ser verdadeiro, e há um sentido muito profundo em que este meu tempo por aqui é uma péssima alocação de recursos para a humanidade. É o Destino regando uma samambaia de plástico. Bom, talve eu não seja 100% de plástico, mas não quis me deixar regar pelas águas negras do submundo para delas emergir assim bem, digamos, "United Colors of Bennetton". Sempre que o pessoal mais caretinha chega de Nova Jérsei para passar a noite aqui, vejo na cara deles que de Nova Iorque eles só conhecem os lugares errados, que eles entram tortos na cidade e saem daqui pensando que o barato do lugar é outro. Em última instância, a única coisa que me separa desta galera é eu ter consciência do que se passa e ter notado que a Vida não teve a cortesia de me botar uma plaquinha "Semi-artista? Entre aqui!" pelo caminho.
Anote, leitor, porque a informação é útil: quando você ouvir falar de alguém que no Brasil era um merdinha, mas que veio para NY e aqui evoluiu muito na sua arte, especialmente quando cheirou cocaína e trocou memórias de desenhos animados com um futuro grande nome da literatura japonesa (que naqueles tempos trabalhava como michê, é claro), pode ter certeza de que esta pessoa não sou eu.
22 de set. de 2005
Para que serve um blog que ninguém lê?
Para que o autor/dono se descubra um inconsciente semi-discípulo de Nietzsche ao ler seus próprios posts. Puta que pariu, esta história de confrontamento na religião é quase a vontade de poder.
Escrever faz a gente mudar de idéia. Neste caso, não totalmente.
Escrever faz a gente mudar de idéia. Neste caso, não totalmente.
16 de set. de 2005
Escolha e método
Há muito e muito tempo, quando eu ainda fazia cursinho de inglês, nosso professor propôs uma série de temas para debate. Um deles foi a necessidade de obediência na prática da religião. Parecia-me então uma verdade óbvia e evidente que cada um deveria ser livre para escolher e adaptar os ensinamentos das várias tradições religiosas, e que a obediência, sendo sinônimo de aceitação incondicional ou medo de errar, era uma bobagem fácil (ou no mínimo desnecessária).
Chocou-me, portanto, que uma moça (que na minha memória era uma morena bonita e bem arrumada com aquele cabelo escorrido de índia) defendesse a idéia de que era preciso obedecer a algo diferente da vontade individual. Seria justamente daí que viria a disciplina na prática da espiritualidade e na busca da verdade que deveria ser o objetivo desta prática, para a qual não haveria necessidade de Grandes Guias se não fosse difícil atingir o objetivo desejado. Sem a tal disciplina, trocar-se-ia este processo difícil pela simples satisfação pessoal e e auto-centrada de se fazer algo segundo os próprios desejos, algo que, na opinião dela, não merecia o nome de religião.
O que me deixou estarrecido nesta declaração foi que ela inverteu quase que instantaneamente o que eu pensava até então. De repente, a tradição já não era aquilo que se faz com o desleixo de quem só aceita. Muito pelo contrário: sendo a prática religiosa um condicionamento interno, o duelo da vontade com o objetivo "impessoal" era parte fundamental do jogo. E não demorou para eu descobrir que qualquer jugador deste peculiar esporte precisa antes de tudo de insistência, porque a luta é difícil; e honestidade consigo mesmo, porque sem ela o discípulo superestima seu sucesso, achando-se uma pessoa boa só porque um dia "decidiu" ser assim. A obediência total pode ser muito difícil ou talvez até não desejável, mas o fato é que religião sem confrontamento com a tradição é mais ou menos o mesmo que auto-ajuda.
O difícil explicar isto para os outros. Lembro-me bem de uma discussão numa aula de "O Homem e o Fenômeno Religioso" na PUC. Uma colega descreveu sua religiosidade como algo bem parecido com a maçaroca que a minha era até o tal debate na aula de inglês, e não resisti a perguntar:
-- Mas vem cá: você não acha que só escolhendo o que te agrada do Budismo, do Cristianismo, do New Age e de tudo o mais você só está fazendo uma coisa meio que para se agradar, e que é muito fácil viver assim?
Ou talvez não tenha dito isto desta maneira: lá na hora devo ter tido mais tato. Mas lembro-me bem da resposta dela:
-- Não [soando como "ué"]! Eu acho que eu sei escolher o que é melhor para mim!
E o olhar dela continuou bem firme no meu, a ponto de eu quase ouvir a continuação daquela resposta: "Você tá louco? Quer que eu seja um zumbi que sai por aí fazendo o que os outros dizem? Me deixa em paz!"
Talvez ela até fosse mesmo dotada da disciplina de que falei acima, mas enfim. O que sei é que não só esta idéia de que é preciso encarar a tradição com insistência e honestidade me parece cada vez mais fundamental para qualquer forma de aprendizado e de método. Não se aprende o mais importante a partir do auto-centrado desejo de conformar as coisas à visão pessoal, mas sim deixando e até torcendo para que as coisas imprimam sua marca no aprendiz. Ou melhor: toda a forma de conhecimento é antes de tudo um dar a cara a tapa, e as únicas mãos sempre por perto são as do próprio estudante.
Chocou-me, portanto, que uma moça (que na minha memória era uma morena bonita e bem arrumada com aquele cabelo escorrido de índia) defendesse a idéia de que era preciso obedecer a algo diferente da vontade individual. Seria justamente daí que viria a disciplina na prática da espiritualidade e na busca da verdade que deveria ser o objetivo desta prática, para a qual não haveria necessidade de Grandes Guias se não fosse difícil atingir o objetivo desejado. Sem a tal disciplina, trocar-se-ia este processo difícil pela simples satisfação pessoal e e auto-centrada de se fazer algo segundo os próprios desejos, algo que, na opinião dela, não merecia o nome de religião.
O que me deixou estarrecido nesta declaração foi que ela inverteu quase que instantaneamente o que eu pensava até então. De repente, a tradição já não era aquilo que se faz com o desleixo de quem só aceita. Muito pelo contrário: sendo a prática religiosa um condicionamento interno, o duelo da vontade com o objetivo "impessoal" era parte fundamental do jogo. E não demorou para eu descobrir que qualquer jugador deste peculiar esporte precisa antes de tudo de insistência, porque a luta é difícil; e honestidade consigo mesmo, porque sem ela o discípulo superestima seu sucesso, achando-se uma pessoa boa só porque um dia "decidiu" ser assim. A obediência total pode ser muito difícil ou talvez até não desejável, mas o fato é que religião sem confrontamento com a tradição é mais ou menos o mesmo que auto-ajuda.
O difícil explicar isto para os outros. Lembro-me bem de uma discussão numa aula de "O Homem e o Fenômeno Religioso" na PUC. Uma colega descreveu sua religiosidade como algo bem parecido com a maçaroca que a minha era até o tal debate na aula de inglês, e não resisti a perguntar:
-- Mas vem cá: você não acha que só escolhendo o que te agrada do Budismo, do Cristianismo, do New Age e de tudo o mais você só está fazendo uma coisa meio que para se agradar, e que é muito fácil viver assim?
Ou talvez não tenha dito isto desta maneira: lá na hora devo ter tido mais tato. Mas lembro-me bem da resposta dela:
-- Não [soando como "ué"]! Eu acho que eu sei escolher o que é melhor para mim!
E o olhar dela continuou bem firme no meu, a ponto de eu quase ouvir a continuação daquela resposta: "Você tá louco? Quer que eu seja um zumbi que sai por aí fazendo o que os outros dizem? Me deixa em paz!"
Talvez ela até fosse mesmo dotada da disciplina de que falei acima, mas enfim. O que sei é que não só esta idéia de que é preciso encarar a tradição com insistência e honestidade me parece cada vez mais fundamental para qualquer forma de aprendizado e de método. Não se aprende o mais importante a partir do auto-centrado desejo de conformar as coisas à visão pessoal, mas sim deixando e até torcendo para que as coisas imprimam sua marca no aprendiz. Ou melhor: toda a forma de conhecimento é antes de tudo um dar a cara a tapa, e as únicas mãos sempre por perto são as do próprio estudante.
Assinar:
Postagens (Atom)